Florestas, água e clima interconectados ditam o equilíbrio do planeta
20 de março de 2026, às 17h28 - Tempo de leitura aproximado: 2 minutos
Entre 21 e 23 de março, o calendário global destaca três datas importantes: o Dia Internacional das Florestas (21), o Dia Mundial da Água (22) e o Dia Mundial da Meteorologia (23). Criadas no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, elas ressaltam que esses elementos compõem um arranjo interdependente, responsável pelo equilíbrio ambiental e climático do planeta. Em São Paulo, onde o bioma remanescente da Mata Atlântica ainda resiste, essa integração é nítida: a saúde das matas dita a fartura (ou escassez) dos reservatórios e a estabilidade das temperaturas.

Para o engenheiro ambiental Euzebio Beli, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Ambiental e Sanitária (CEEAS) do Crea-SP, essa relação é indissociável. “Florestas, recursos hídricos e fenômenos atmosféricos integram o ciclo hidrológico. Quando a vegetação é suprimida, há impacto direto na formação de nuvens, gerando um efeito em cadeia que desestabiliza todo o ecossistema”, pontua.
A ideia de interdependência se manifesta na evapotranspiração, quando as árvores lançam vapor na atmosfera, influenciando as precipitações e a recarga de aquíferos. O desmatamento quebra esse fluxo, reduzindo os índices pluviométricos e agravando as secas – afetando tanto o abastecimento dos rios quanto a biodiversidade. “Metade das chuvas na Amazônia vem da própria floresta. Ao remover essa proteção, perdemos a umidade que abastece inclusive aqui, no Sudeste”, explica o meteorologista Micael Amore Cecchini, professor doutor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) e conselheiro suplente pela instituição no Crea-SP.
Para Cecchini, a conscientização é parte fundamental da solução. “Hoje temos bloqueios atmosféricos que dificultam tanto a chegada de frentes frias vindas do Sul quanto da umidade amazônica em São Paulo. E a única saída é preservar os biomas locais, o que é mais vantajoso no médio e longo prazo do que o ganho imediato com a substituição por outras atividades, como pastos”, compara. A Mata Atlântica, que é o bioma mais relevante em São Paulo, tem apenas algo entre 23% a 27% de sua cobertura natural preservada atualmente, de acordo com o MapBiomas.
Para mitigar esse cenário, os especialistas defendem ainda a união entre conservação e planejamento técnico. Medidas como a recuperação de nascentes, infraestrutura verde e o reuso de água são cruciais, especialmente em metrópoles como São Paulo. “As soluções mais eficazes são baseadas na natureza e consideram o conjunto, não ações isoladas”, ressalta Beli, que reforça: “o desafio exige Engenharia aplicada para garantir a segurança hídrica e reduzir os riscos climáticos”. Afinal, quando cuidamos da floresta, estamos cuidando da água e do clima ao mesmo tempo, e, no fim, da nossa própria qualidade de vida.
Produzido pela CDI Comunicação