Clima instável pede prevenção e orientação técnica
17 de março de 2026, às 8h00 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos
Se o primeiro movimento é compreender a intensificação dos fenômenos climáticos, o segundo é agir. Quedas de energia, alagamentos, estruturas danificadas e interrupções de serviços tornaram-se cada vez mais frequentes em diferentes regiões do País em decorrência dos eventos climáticos extremos. Por isso, a discussão entra na rotina de condomínios, comércios, espaços públicos e residências. A questão central passa a ser como reduzir danos e preparar edificações e sistemas para responder a situações críticas.
Nesse contexto, a confiabilidade das infraestruturas elétricas ganha ainda mais relevância. Sistemas de energia sustentam desde o funcionamento de hospitais e centros de dados até equipamentos essenciais em residências e empreendimentos. Em cenários de tempestades intensas ou descargas elétricas frequentes, falhas de projeto, ausência de proteção adequada ou falta de manutenção podem implicar riscos e provocar interrupções relevantes de serviços.
“Em ambientes críticos, trabalhamos com múltiplas camadas de redundância elétrica, sistemas de alimentação ininterrupta, geradores e coordenação de proteções para reduzir o risco de falhas graves e interrupções”, afirma o Engenheiro Heverton Bacca Sanches, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do Crea-SP (CEEE). Segundo ele, a confiabilidade dos sistemas é decisiva tanto em grandes empreendimentos quanto em instalações residenciais.
A arborização urbana também atua para mitigar as catástrofes climáticas. De acordo com o “Manual de Boas Práticas na Arborização Urbana em Municípios Brasileiros”, elaborado pelo Confea, a arborização de praças, parques, jardins e sistema viário proporciona às cidades inúmeros benefícios relacionados à estabilidade climática, conforto ambiental e melhoria da qualidade do ar. O manual destaca que áreas arborizadas podem apresentar temperatura até 12 ºC mais amena do que espaços urbanos sem árvores. Além disso, em áreas arborizadas, o solo fica mais permeável, e, com isso, a água da chuva infiltra com mais facilidade, amenizando as inundações.
Diante desse cenário de desastres climáticos, a fiscalização do Crea-SP é imprescindível ao assegurar que serviços e empreendimentos com atividades relacionadas à área tecnológica contem com profissionais habilitados e devidamente registrados. Na arborização urbana, por exemplo, os engenheiros florestais e os engenheiros agrônomos são capacitados para planejar e gerir projetos. Estes profissionais são treinados para selecionar as espécies adequadas para diferentes ambientes urbanos e para implementar práticas de manejo sustentável, possuindo conhecimento sobre fisiologia vegetal, solos, água, clima e as interações entre a fauna, a flora e o ambiente urbano.
Ao coibir o exercício ilegal das atividades e exigir conformidade com normas técnicas e regulamentações vigentes, o Conselho atua preventivamente na mitigação de riscos e na proteção de todos.
No ambiente doméstico, medidas como evitar sobrecarga em tomadas, instalar Dispositivo Diferencial Residual (DDR) e Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS), revisar fiações antigas e jamais realizar reparos improvisados são práticas básicas de segurança. Em áreas molhadas, o cuidado deve ser redobrado. “A combinação de energia elétrica e umidade aumenta significativamente o perigo de choque, inclusive em tensões menores”, alerta Bacca.
Em espaços públicos e eventos, a responsabilidade é ainda mais abrangente. Estruturas provisórias precisam seguir regulamentação vigente, contar com projeto de instalação predial específico, inspeção prévia e acompanhamento profissional. Para o público, a orientação é clara: manter distância de estruturas metálicas durante tempestades, não tocar em cabos caídos e buscar abrigo seguro diante de descargas atmosféricas.
A prevenção também envolve planejamento urbano e gestão ambiental. “A adoção de estratégias como drenagem sustentável, ampliação de áreas verdes e manejo adequado do solo contribui para reduzir impactos de enchentes e sobrecargas nos sistemas urbanos. É uma agenda que precisa estar conectada às políticas públicas”, pontua a Engenheira Agrônoma Gisele Herbst Vazquez, diretora técnica do Crea-SP e ex-coordenadora da da Câmara Especializada de Agronomia (CEA) do Crea-SP.
Em situações de alagamento, o protocolo deve ser desligar o disjuntor geral ao notar a invasão de água, evitar contato com equipamentos energizados e solicitar avaliação especializada antes de restabelecer a energia. Em vias públicas, jamais atravessar áreas alagadas ou se aproximar de fiação caída, acionando imediatamente a concessionária ou o Corpo de Bombeiros.
A adaptação climática não se limita ao debate ambiental. Ela passa por projeto, execução qualificada, manutenção periódica e cultura de segurança. Em um contexto de instabilidade climática crescente, a Engenharia, Agronomia e Geociências atuam como elemento-chave da segurança coletiva, transformando conhecimento em proteção para a sociedade.
Produzido pela CDI Comunicação
Imagem: Freepik
