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1º ENECEQ+GEO

Encontro reuniu coordenadores de cursos das modalidades Química, Geologia e Engenharia de Minas

Na quarta-feira, 28 de novembro, o Crea-SP reuniu, em sua Sede Angélica, na Capital, coordenadores de cursos de Engenharia Química, Geologia e Engenharia de Minas para o primeiro encontro estadual das modalidades da categoria.

A mesa diretora de abertura do encontro foi formada pelo Diretor de Relações Profissionais e Coordenador da Comissão de Relações Públicas - CRP do Conselho, Eng. Quim. e Eletric. Valter Domingos Idargo; o Coordenador da Câmara de Engenharia Química, Eng. Marcelo Alexandre Prado; o Coordenador da Câmara de Geologia e Engenharia de Minas, Geol. Ronaldo Malheiros Figueira; e pelo Coordenador do curso de Engenharia de Alimentos da UNESP Campus São José do Rio Preto, Prof. Eng. Roger Darros Barbosa.

Conduzindo a primeira palestra do dia, o Engenheiro Idargo fez uma apresentação institucional e também discorreu sobre legislação profissional. “Este evento tem basicamente duas funções: apresentar para quem não está no Crea-SP como funciona a estrutura do nosso sistema profissional e começar a promover um trabalho de união da categoria, ou seja, uma mudança de paradigma em cima disso; e trabalhar na alteração de matrizes curriculares com vistas a adaptar os cursos às tendências do mercado para a Indústria 4.0, que é a quarta Revolução Industrial”, explicou.

Segundo o Diretor de Relações Profissionais, “o mercado anda mais rápido do que as instituições de ensino; as maiores empresas que temos no Brasil são corporações transnacionais, então a demanda por esse profissional vem de fora. Se não suprirmos com os profissionais de dentro do país, haverá uma tendência em trazer de fora. As escolas precisam preparar os egressos dos cursos para essa nova tendência do mercado. Hoje, na Europa, já querem mudar toda essa estrutura de matriz curricular para 2020; nós já estamos indo para 2019, então o Brasil precisa correr para não ficar para trás dos outros países. Temos boas instituições de ensino, com um público moderno, com alunos do século XXI, mas usando uma metodologia do século XX. A ideia é transformar o curso em algo útil, em que o aluno consiga ir direto para o mercado de trabalho e não tenha que passar por infinitos treinamentos dentro de uma empresa para poder aprender engenharia; ou seja, ele já sai sabendo a engenharia que o mercado de trabalho exige. E os professores entenderem que a linguagem precisa ser mudada para falar a mesma língua dos alunos da geração atual”.

Sobre as mudanças necessárias na legislação do Sistema, enfatizou: “Fundamental para atualizar essa legislação seria o Crea-SP trabalhar primeiro na constituição de uma Frente Parlamentar forte, para que as alterações sejam feitas de acordo com as necessidades da nossa categoria profissional”.

A respeito da participação das instituições de ensino no sistema profissional, Idargo destacou que essa importância vem crescendo a cada dia. “Há uns 20, 30 anos, o curso de engenharia tinha uma carga horária maior, o profissional saía para o mercado de trabalho, fazia capacitações internas dentro da empresa, cursos curtos, mas a maioria não voltava para a universidade. Agora o curso ficou com uma carga horária mais reduzida, abriu um mercado para cursos de pós-graduação e as instituições de ensino têm uma função diferente do que era antes: eles formavam o profissional para o mercado e agora eles têm que trabalhar de uma forma contínua para formar esse profissional para, a partir dessa base, ir construindo o seu perfil profissional em função dos cursos que fizer. Nesse sentido, a instituição de ensino passa a ter uma participação no Sistema muito mais importante do que tinha antes”, disse.

Segundo o Coordenador da CRP, a iniciativa do encontro surgiu da necessidade de aproximar os professores do sistema profissional. “Existe muita resistência do pessoal da área acadêmica em relação ao Sistema, porque não há uma obrigatoriedade de registro do profissional que atua como professor. Existem muitos professores em faculdades de Engenharia que não são engenheiros e, portanto, não têm afinidade com o Sistema. Os que deveriam ter se afastaram, então observamos que os profissionais que ministram as aulas estão totalmente afastados do Sistema, com raríssimas exceções. As universidades maiores, em que o professor é um servidor público, concursado, tem uma carreira acadêmica, estão muito mais distantes que as instituições particulares, em que o profissional atua na área, mas também é professor, então concluímos que precisamos trazer esse pessoal que é puramente acadêmico para poder entender como o Sistema funciona, agregar valor e melhorar a formação do egresso da instituição”, finalizou.

Na sequência, a Eng. Alim. Claudia Cristina Paschoaleti discorreu sobre o curso de legislação profissional para as engenharias da modalidade Química. A Engenheira explicou aos coordenadores de cursos de Engenharia Química, Geologia e Engenharia de Minas que o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Agrimensor no Brasil foi regulamentado pelo Decreto-Lei nº 23.569, de 11 de dezembro de 1933. Além da regulamentação das profissões, o Decreto-Lei determinou ser de responsabilidade do Confea a fiscalização do exercício das profissões existentes à época, que eram: Engenheiro Civil, Arquiteto, Engenheiro Industrial, Engenheiro Mecânico-Eletricista, Engenheiro Eletricista, Engenheiro de Minas, Engenheiro Geógrafo e Engenheiro Agrimensor, além do Agrônomo, em certas situações.

A menção à profissão de Engenheiro Químico só apareceu em 1940, com o Decreto-Lei nº 8.620, de 10 de janeiro. Com o advento da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro 1966, a regulamentação do exercício profissional dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos foi aprimorada, sendo a Lei até hoje, embora merecedora de revisão, a maior referência de regulamentação das profissões do Sistema Confea/Crea.

Segundo a 5.194, “para exercer legalmente a Engenharia Química, o profissional egresso das Instituições de Ensino Superior que cumpriu as exigências do sistema educacional deve solicitar aos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia o reconhecimento formal e legal de suas competências e habilidades e a consignação de suas Atribuições Profissionais por meio de ato específico de responsabilidade dos Creas e suas Câmaras Especializadas”. “Ou seja, quem qualifica o profissional é a instituição de ensino, e quem o habilita é o Conselho” – lembra a Eng. Cláudia.

A palestrante também falou sobre Atribuições Profissionais, que são o conjunto de atividades e competências que um profissional do Sistema Confea/Crea recebe no momento em que efetua seu registro no Conselho. As atividades foram definidas na Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, e são dezoito, sendo que os engenheiros têm competência para exercer todas elas, e os tecnólogos e técnicos tem um número limitado de competências.

No campo da Engenharia Química, são atendidos pela Resolução 218 os profissionais da indústria química, petroquímica, de alimentos e de produtos químicos, além daqueles que atuam no tratamento de água e instalações de tratamento de água industrial e de rejeitos industriais, incluindo serviços afins e correlatos.

Em 26 de novembro de 2002, a Resolução nº 1.002 do Confea adota o Código de Ética Profissional da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia, da Geografia e da Meteorologia, e no ano seguinte, em 27 de junho, a Resolução nº 1.004 aprova o regulamento para a Condução do Processo Ético Disciplinar dos profissionais.

Em sua apresentação, Cláudia explica que “ética profissional é um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. É a ação reguladora da ética que age no desempenho das profissões, fazendo que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão”. “Uma infração à ética coloca o profissional sob julgamento, sujeitando-o a penalidades” – lembra Cláudia.

A palestrante, professora e procuradora institucional do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, também discorreu sobre Responsabilidade Técnica (Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977), Responsabilidade Administrativa (cumprimento de leis federais, estaduais, municipais, códigos e posturas municipais e outras legislações afins).

Na terceira apresentação do dia, o Eng. Aeronáutico Maurício Pazini Brandão (foto acima), conselheiro do Crea-SP representando o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ministrou palestra sobre “Indústria 4.0”, apontando o papel da Engenharia e dos engenheiros brasileiros no processo revolucionário que vem protagonizando o cenário econômico em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Segundo o palestrante, uma definição de compreensão geral sobre Engenharia é de que “se trata da arte de dirigir grandes fontes de energia para o uso e conveniência do homem”. “Mas – explica o engenheiro – todos aceitamos a definição mais abrangente que diz que engenheiro é ser capaz de resolver problemas”.

Para questionar a qualidade da formação dos profissionais no Brasil, que ocupa o 64º lugar no mais recente Ranking Global de Inovação, publicado anualmente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, sediada na Suíça, Pazini enumera dez problemas da humanidade que considera emergenciais, segundo indicadores de instituições e especialistas na área: Pobreza, Doenças, Degradação Ambiental, Guerras e Atrocidades, Terrorismo, Energia, Alimentação, Educação, Direitos Humanos e Armas de Alta Destruição. A dúvida é: nossos jovens profissionais saem das faculdades preparados para resolver tais problemas? O conselheiro do Crea-SP entende que a indústria – principalmente a chamada Indústria 4.0 – pode solucionar grande parte dessas demandas. “Não há outro caminho – afirma ele – que não seja o da educação e inovação”.

Quando aborda aspectos do Processo de Desenvolvimento Tecnológico, Pazini aponta a enorme lacuna que permeia o espaço entre Universidade e Indústria. De acordo com o engenheiro aeronáutico, o empreendedorismo deveria fazer parte da grade das faculdades da área tecnológica. O empreendedorismo amadurece a tecnologia, que, assim, ganha novas chances de uma aplicação vitoriosa. Um empreendedor sabe como evitar o malfadado Vale da Morte onde caem a grande maioria dos projetos revolucionários. “É claro que há riscos na iniciativa e a indústria brasileira – em geral, conservadora por excelência – não está disposta a investir em riscos”.

Mas, segundo o palestrante, tal postura precisa mudar o mais rápido possível, lembrando que a evolução industrial no mundo é muito mais avançada do que no Brasil. "Primeiro, há 4.000 anos antes de Cristo, tivemos o arado, que mexeu com a economia e criou conflitos de terra e de poder. Depois veio a revolução do motor a vapor, uma disrupção que mudou o mundo. Agora, ainda vivemos a era do computador, e o Brasil não está na lista dos 500 melhores computadores do planeta. Aliás, o foco entre os melhores do mundo é a energia, área em que nosso país apenas engatinha. O alerta é para a 4ª Onda, que bate à nossa porta, trazendo a Nanotecnologia, a Engenharia de Nanotecnologia e a Indústria 4.0” – adverte Pazini.

Como a palestra sobre a Indústria 4.0 se insere num evento para coordenadores de cursos da área tecnológica, a mensagem para esse público é clara: o setor industrial deve absorver um novo tipo de profissional. Se as pesquisas acadêmicas em torno de projetos de desenvolvimento de produtos atacarem de frente as demandas da Robótica Avançada, Big Data (cujos recursos podem favorecer os empreendedores em seus processos decisórios), Internet das Coisas, Computação em Nuvem, Manufatura Aditiva (com as até pouco tempo atrás impensáveis impressoras 3D), Manufatura Digital, Integração de Sistemas (entre produtores, clientes, fornecedores, parceiros e sociedade) e Segurança Digital (área em que o Brasil apresenta melhores resultados em relação às outras), fatalmente a nova indústria absorverá esse conhecimento para aplicação no mercado.

Enquanto não se comemora um avanço integrado nesse campo, há de se ressaltar projetos isolados que já estão dando certo em algumas plantas no Brasil, como o sistema HPUmatic (inspirado em tecnologia aeronáutica), que visa substituir unidades hidráulicas convencionais, implicando grandes diferenciais de inovação, tais como: 90% de economia de energia elétrica; 90% de economia de óleo hidráulico; dispensa de refrigeração com água; manutenção gratuita por dois anos; baixa vibração e baixo ruído (NR17); segurança relativa ao passivo trabalhista (NR12); e sustentabilidade ambiental (NR15).

Ao implantar sistemas como o HPUmatic, por exemplo, algumas poucas multinacionais dão o primeiro passo para a construção da Indústria 4.0 no Brasil. Citando o economista brasileiro Roberto Campos, falecido em 2001, Pazini aponta o caminho para a erradicação do mais premente problema humanitário mencionado em sua palestra: “O respeito ao criador da riqueza é o início da solução da pobreza”.   

As implicações de materiais particulados de origem terrígena na qualidade do ar do Polo Cerâmico de Santa Gertrudes foi o assunto destacado pelo Geol. Sebastião Gomes de Carvalho, cuja apresentação pode ser acessada aqui.

O Prof. Dr. Eng. Vagner Cavenaghi, diretor administrativo/financeiro da Associação Brasileira de Educação em Engenharia – ABENGE, apresentou a palestra “Novas Diretrizes Curriculares para a Engenharia Brasileira”, abordando a melhoria da qualidade e o fortalecimento dos cursos de graduação em Engenharia. Em sua opinião, as instituições precisam capacitar melhor os engenheiros, espelhando-se em instituições que estão fazendo a diferença para tornar a Engenharia mais atrativa. Cavenaghi advertiu para o fato de que todas as outras profissões estão em declínio e que escolas de Engenharia na Europa e nos EUA já procuram modificar seus modelos. “Além de formar engenheiros, as instituições precisam formar projetistas inovadores, e empreendedores que atuem ao mesmo tempo como gestores e educadores na formação professores de qualidade”. “De preferência – prossegue –, o perfil do estudante deve ser generalista, pronto para atuar na cadeia produtiva de bens e serviços, em qualquer demanda do mercado”. “O método convencional não está formando bons profissionais”, concluiu. 

Segundo o palestrante, os requisitos para um currículo adequado às necessidades do mercado devem considerar estratégias ativas de aprendizagem; projetos multi, trans e interdisciplinares; revisão dos TCCs e do estágio obrigatório; maior atenção ao conceito de empresa júnior; a adoção de atividades complementares; a adequação de laboratórios e ambientes de aula; o boa aplicação de atividades presenciais e não-presenciais; e, por fim, e não menos importante, a internacionalização do ensino/aprendizado.

Cavenaghi informou, ao final de sua apresentação, que a nova proposta curricular da ABENGE está prestes a ser analisada pelo Conselho Nacional de Educação – CNE.

Mestre em Sistemas Eletrônicos pela Universidade de São Paulo e coordenador do curso de Engenharia de Computação do Instituto de Ensino e Pesquisa – INSPER, Fábio de Miranda encerrou a programação ministrando palestra sobre mudanças curriculares na Era da Transformação, na qual apresentou como exemplo ações promovidas pela instituição na qual trabalha.

Produzido pelo Departamento de Comunicação e Eventos do Crea-SP
Reportagem: Jornalistas Perácio de Melo e Guilherme Monteiro – DCEV/SUPCEV
Colaboração: Estagiários Claudio Porto, Daylson Luiz e Guilherme Almeida (fotos)


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