São Paulo, 06 de Setembro de 2010

Palavra do Presidente: A “Cara” do Progresso e do Desenvolvimento do Brasil

 

 

Recentemente, em Cubatão, o Presidente Lula afirmou que: “A Engenharia é que dá a Cara do Progresso e do Desenvolvimento do Brasil”. Os profissionais da área tecnológica, que formam o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo ficaram satisfeitos com a frase do primeiro mandatário do país. Demonstra claramente que o governo está sintonizado com a importância da área tecnológica.

 

 

A informação de que o Brasil perde anualmente U$ 15 bi por causa da má formação de engenheiro é simplesmente assustadora. Revela uma deficiência lamentável do sistema.

 

Esse dinheiro, segundo os estudos apresentados no Encontro Nacional de Engenheiros, em Curitiba, está se perdendo devido a falhas nos projetos das obras públicas. Não está sendo computado aí o que se perde nas obras levadas a efeito pela iniciativa privada o que nos permite supor que o valor seja bem maior. É a ponta do iceberg.

 

Se queremos nos orgulhar da afirmação do Presidente da República, devemos nos preocupar com a cara que o progresso e o desenvolvimento do Brasil tem ou terá. Não podemos permitir que essa cara seja a do despreparo, da ignorância, da falta de tecnologia.

 

O Brasil está caminhando a passos largos para ser, na próxima década, a quinta potência mundial. Isso nos enche de orgulho. Mas não podemos pensar o amanhã se o hoje está sendo construído sem a tecnologia de ponta, sem a inovação tecnológica, sem a sustentabilidade ambiental e social.

 

No dia 17 fizemos a entrega do Prêmio Crea SP de Formação Profissional para 241 recém formados do Estado de São Paulo. São os melhores alunos do ano de 2009 e todo ano, o Crea SP promove esse evento com o maior carinho pois sabemos da importância que tem o reconhecimento para o jovem que está deixando o banco escolar e ingressando no mercado de trabalho. Pude ver, no rostinho daqueles formandos, os melhores alunos, o receio que hoje toma conta dos profissionais responsáveis pelas entidades que congregam os engenheiros, arquitetos, agrônomos e outras áreas tecnológicas. Os dados são alarmantes. Vamos precisar de 300 mil engenheiros até 2012 mas as nossas escolas só conseguem formar metade dessa quantidade. Temos aí um grande déficit de profissionais. E se levarmos em conta a evasão? Dados da CNI revelam que, nos 1.374 cursos existentes no país, a evasão é de 80%. Isso quer dizer que, dos  150 mil alunos que ingressam no primeiro ano, somente 30 mil concluem os estudos. É preciso repensar todo o processo pois não basta acenar com promessas. Temos que motivar os alunos a prosseguirem no curso que escolheram. O CREA SP dá sua parcela de contribuição. Criou o Crea Jovem, formado por jovens profissionais e que desenvolve ações estratégicas, de abordagem motivadora com os alunos.

 

Aqui no Estado de São Paulo, os cursos universitários formam em torno de 12 mil novos profissionais a cada ano. Para suprir esse defict de engenheiros - e como não se faz o progresso sem a engenharia - seremos forçados a importar profissionais. E como isso se dará? Quais os critérios para que um profissional venha do exterior para trabalhar no Brasil? Como irá ocorrer essa importação? Esses pontos são muito importantes e se queremos preservar a cara da nossa engenharia temos que cuidar para que os nossos alunos recebam, nas universidades brasileiras, o conteúdo necessário que lhes permita encarar os desafios de uma nação em franco desenvolvimento e completamente inserida no cenário internacional da globalização.

 

Os dados são alarmantes: Só 1 em cada 4 engenheiros tem formação adequada. Isso quer dizer que o Brasil forma menos de 10 mil engenheiros com competência. A China forma 400 mil engenheiros por ano. A Índia forma 250 mil e a Coréia do Sul 80 mil. O Brasil está segurando a lanterninha e forma apenas 30 mil. Se não tomarmos medidas drásticas e urgentes, a cara do nosso progresso e do nosso desenvolvimento, como afirmou o Presidente da República, será a da engenharia, mas o idioma que ela vai falar não é o Português.

 

 

 

 

* José Tadeu da Silva é Engenheiro Civil, Presidente do CREA SP – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo, da FEBRAE – Federação Brasileira das Associações de Engenharia e do IPEAMA – Instituto Paulista de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Maçons.

 

 

 

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