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Formação cultural dos jovens do MST

A formação cultural dos jovens do MST

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Aqui você está num lugar que você tem reunião, que você tem um regimento para cumprir, que se roubar, ou acontecer alguma coisa que prejudique o movimento a pessoa é expulsa e aí não tem direito de ficar aqui. E também não é só o direito pela terra, mas o direito que o cidadão tem hoje, tipo, direito de ter um país que ajude mais [...] Na cidade a visão é outra. Quando eu morava na cidade eu não tinha essa visão que eu tenho hoje. Na cidade eu queria ser outra pessoa, ter as coisas que, hoje se você for na cidade você tem vontade de ter, porque, hoje, [...] não se vive na cidade sem dinheiro. Tem que ter dinheiro para comprar as coisas que você necessita. Precisa de arroz, precisa disso, tudo que você tem na cidade, você tem que ter dinheiro. Aqui já é diferente. Você quer comer uma fruta, não precisa roubar, é só arrumar uma semente e plantar, vai crescer.
As palavras acima são de uma jovem que, aos dezessete anos de idade, passou a integrar, junto com seus pais, a luta pela terra no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. São pessoas que carregam valores, sentimentos, direitos sociais constituídos e negados pela metrópole, pela cidade, pelo país em que vivem. Carregam a ruptura, a mudança, a transformação progressivamente sentida em seu cotidiano por meio da luta política, da passagem da candura à rebeldia.